Rodapé

Prólogo

Comecei a escrever aqui porque precisava, e porque eu precisava de um clichê pra começar. Sim, mais do que nunca eu acredito na força dos clichês e no porque de funcionarem. É como um balada pop de dois minutos e meio ou um bordão de novela: pega porque sim.

Isso aqui também é um grande exercício de porque sim. Olha, passei muito tempo pra aprender as diferenças gramaticais entre os porquês. Sempre voltava ao Google "diferença entre por-", seguia o autocompletar, clicava no primeiro link e tirava a dúvida: "ah claro, já tinha lido antes, só tinha esquecido", contando pra mim mesmo. Na maioria das vezes eu queria escrever o porque separado e sem acento, que no fim da frase indica pergunta, como em "mas por quê?". Depois de obter a resposta que eu pouco fazia com ela alguma coisa, ficava em círculos. Então eu aprendi um dispositivo retórico bem cínico: "por que não?" Ah! De maneira convincente e muito pouco apegada a situação, essa firulinha desarma quaisquer argumentos bem postos e questiona a própria lógica interna das coisas simplesmente trocando o sinal lógico. Tal qual um historiador renomado ou uma diva pop, considero estar numa nova era, a era do porque sim. Junto e sem acento, esse porque deve ser aplicado em frases afirmativas e explicativas. "Porque sim" também é uma resposta (ao contrário do que se via na tv no final dos anos 90), a questão é o quanto você quer saber sobre algo. Ou melhor: "porque sim" responde sua pergunta? Em algumas situações da vida, é a única resposta que você vai precisar; pra outras era melhor nem ter perguntado.

O fato de escrever aqui é um grande porque sim. O que de fato eu gostaria de escrever aqui, tem muita coisa que vai ficar de fora enquanto eu apenas souber responder isso.