Rodapé

virou o ano

2 de janeiro. Entro na academia e todos parecem estar de luto. Os pesos, embora imóveis e sem nenhuma indicação, não parecem querer ser mexidos de seus lugares; as máquinas e alteres, por mais que não reclamem, também não se esforçam pra não parecem travados e sem óleo. Silêncio num ambiente desses é um luxo dos grandes, mas até o som da academia está tímido, baixinho, como se dissesse “desculpa qualquer coisa, galera”. O pé direito alto do lugar ecoa os movimentos sem vontade de todos ali: sinto o humor definhando. Todos sabem que estamos ali por escolha e não há arrependimento ou cansaço que apague esse orgulho. É uma quinta-feira, dia útil, final de expediente. Dois dias antes era o ano anterior; 36 horas antes estavam todos celebrando; 24 horas e todos animados com o ano que estava surgindo com todos os seus planos e horizontes, e nesse instante temos apenas a esteira e a tv que passa propaganda. Mais uma volta, mais uma série -na verdade são 12 séries de 30 ou 31 repetições- mais um ciclo que se inicia. Feliz 2025

Dia seguinte, tudo volta ao normal. Mais um ano que já começou outra vez, outra contagem que se começa de trás pra frente